
A SANTA art magazine 2 é pau, pedra, pneu, lata velha, ursinho de pelúcia, refugos e entulhos. Nosso lixo civilizatório que, sob a batuta de Vik Muniz, transmuta-se em obras de arte. É de sua autoria a Nossa Senhora das Graças que ilumina a capa da SANTA 2. Também trazemos outras de suas imagens inéditas, todas feitas a partir do lixo. A obra de Vik Muniz em nossas páginas revela a verve de uma linguagem que mobiliza pela estética ilusória e pelas questões sociais, econômicas e ecológicas intrínsecas ao nosso modo de vida consumista e suicida.
O número 2 da SANTA traz ainda um depoimento inédito de Jorginho Guinle. Durante 24 anos, essa gravação esteve numa velha e mofada fita de vídeo VHS. No depoimento, Jorge comenta com vivacidade e inteligência peculiares seu processo de trabalho, formula reflexões críticas e entretém o espectador com personalidade e simpatia cativantes. Na transcrição que publicamos agora, tentamos manter ao máximo a oralidade para não perdermos a verve tão espontânea que caracterizava o pintor.
A SANTA 2 publica também uma parte da imensa obra de Alécio de Andrade, um genial poeta da fotografia que o Brasil pouco conhece – ele foi morar na França muito jovem e lá desenvolveu seu fecundo trabalho. Suas fotografias são puro deleite estético. Cildo Meireles também nos dá o ar de sua graça com o seu pensamento afiado, inteligente e provocativo. O artista atira algumas farpas em várias direções e nos mostra a importância da crítica aguda e não domesticável.
Seguindo em frente, paramos e olhamos para as estrelas através dos óculos cósmicos de Xico Chaves. Ele nos conta que o homem não tem idade e que entre os meteoros e o nosso sangue não existe lá muita diferença. Xico nos ensina que somos seres geológicos e que fazemos parte de toda a estrutura mineral do planeta e do espaço.
Trazemos também Ana Holck – com texto de Cauê Alves sobre o trabalho da artista plástica intitulado Em Obras. E ainda: a mescla antropológica entre a street art e seus personagens urbanos circundantes, fotografados por Gabriel Mendes; o preto no branco metafísico e explosivo de Marinho; as belas fotografias românticas de Isabel Garcia; o mar revolto com nomes de oceanos de Rosana Ricalde; o condomínio modular de Felipe Barbosa; o ensaio intrigante e premiado, feito no Metrô paulista, de Felipe Hellmeister; as fotografias-seqüência de Vicente de Mello em sua série Cinema Atmosférico. Por fim, uma pergunta feita por Mark Bresson a partir de uma montagem fotográfica: Onde está o homem da caverna? Se alguém souber, por favor, nos informe.
Sergio Mauricio
Editor
